Quem não tem nada, o que tem a perder? Muito. Nessa madrugada um carroceiro furtou a cachorra Nêga, que morava debaixo do viaduto do Pacaembu, junto com seu Osmar e dona Célia. Eles moram em uma grande caixa de papelão. A castração da cachorra já estava marcada, assim como o exame prévio de sangue. Ao passar por lá logo cedo para avisá-los, vi seu Osmar chorando, encolhidinho na única cadeira que tem, quando relatou o furto. D. Célia ainda completou, como toda boa mãe de cachorro: “é minha filha, e agora?”. Não soube responder, só torço para Nêga, esperta como é, conseguir escapar do carroceiro e achar o caminho de volta.
terça-feira, 29 de junho de 2010
Aperto no peito
Quem não tem nada, o que tem a perder? Muito. Nessa madrugada um carroceiro furtou a cachorra Nêga, que morava debaixo do viaduto do Pacaembu, junto com seu Osmar e dona Célia. Eles moram em uma grande caixa de papelão. A castração da cachorra já estava marcada, assim como o exame prévio de sangue. Ao passar por lá logo cedo para avisá-los, vi seu Osmar chorando, encolhidinho na única cadeira que tem, quando relatou o furto. D. Célia ainda completou, como toda boa mãe de cachorro: “é minha filha, e agora?”. Não soube responder, só torço para Nêga, esperta como é, conseguir escapar do carroceiro e achar o caminho de volta.
sexta-feira, 25 de junho de 2010
Em dia de jogo, uma vitória

Em junho de 2002, um caminhão com 56 filhotes de beagles, o cão em que o Snoopy foi inspirado, foi bloqueado quando tentava entrar na Áustria. Os bebês eram destinados a mesas de experimentação de um laboratório farmacêutico de Hamburgo, na Alemanha. Eles haviam nascido na empresa Morini di S. Polo-Italia, especializada na criação de animais de laboratório. Depois de muita briga, só agora a empresa fechou. Uma conquista. Os 283 cães e os 700 ratinhos que ainda estavam no corredor da morte foram para a associação " Vita de Cani" de Milão, que faz parte da Oipa (Organização Internacional pela Proteção dos Animais).
Toda a campanha contra a empresa está na página da Oipa, em italiano. Parabéns à Oipa, e obrigada ao Instituto Nina Rosa, que espalhou essa notícia boa a todos.
quinta-feira, 17 de junho de 2010
A casa dos bichos

Já contei sobre a vida do Marcelinho, o protetor de animais que morava em um barraco de poucos metros, em cima de um córrego, onde passa o esgoto da favela do Sapo, em São Paulo. Na época, fui até lá farejar a história e vi que ele vivia com mais de 20 bichos recolhidos. Com a boa vontade de alguns veterinários, o menino conseguiu castrar mais de 900 animais na favela, o que diminuiu o abandono por lá. Coisa que a prefeitura de SP está longe de alcançar.
Pois bem, Marcelinho passou um sufoco. Com a chuvarada, o barraco em que morava caiu no córrego, ou seja, na merda. Depois de mudar-se para outro barraco, sem água nem luz, com a ajuda de protetores, conseguiu comprar uma casa.
Agora, olha a saga da casa. Ela havia sido comprada por um casal para o filho, que amava bichos e pretendia cuidar de animais. Mas o rapaz morreu em um acidente, sem que pudesse ocupá-la. A casa ficou fechada por anos, tamanha tristeza dos pais. O imóvel foi colocado à venda, e sem que soubessem da história de Marcelinho, foi comercializado para ele.
Somente na hora da escritura, o casal soube o destino da casa. E foi uma choradeira só, ao constatar que o imóvel estava mesmo destinado a proteger os animais.
quarta-feira, 16 de junho de 2010
O monstro de Igrejinha
(foto que consta no processo)Abandonado em uma estrada rural da cidade de Igrejinha (RS), o cão viu uma porteira aberta e entrou, em busca de um lugar para dormir. Isso aconteceu no último dia 9, quando fazia um frio de lascar. O dono do lugar, um senhor de 73 anos, irritou-se com o fato do cachorro ter frio e fome e, com a ajuda do neto adolescente (que deve ser uma beleza de pessoa), catou o animal, deu pauladas e fez uma fogueira de São João com o cão ainda vivo. Os vizinhos viram tudo e chamaram a polícia. Fui então farejar o desfecho com o delegado.
Cachorreiro, o delegado Florisbaldo Nascimento Cruz foi bastante solícito comigo. Ele explicou que o autor confessou o crime e ainda disse que fez isso porque “cachorro só incomoda”. Muito bem.
Fui então até o sítio desse homem farejar o porquê de tamanha barbaridade. Se ele acha que um cão comum incomoda, imagina uma cadela repórter. Irritado, ele negou, como o delegado disse que faria, pois já está orientado por um advogado.
“Ele pode falar o que quiser agora, importam aqui as testesmunhas e a confissão, claramente feita. Já instauramos o processo, e ele pode pegar de três meses a um ano de detenção, além de multa. Vamos pedir também o aumento da pena por causa da morte do cachorro. E quer saber? Ainda acho pouco, a lei é branda”, finaliza Florisbaldo.
sexta-feira, 11 de junho de 2010
Coisas do Brasil
Nêga, cuja história já foi contada, recebeu mais ajuda. Especial como sempre, a jornalista Lara Schulze (conhecida como minha madrinha) entregou comida e roupinhas. Sim, afinal dormir na rua neste baita frio não é moleza. Uma das roupas ainda é perfeita para ao dia de início da Copa: uma blusa do Brasil. Como relatou a saga da cadela da ponte, Lara conseguiu um descontão do dono da loja Mondo Pet, que fica no shopping Morumbi. Eta Nêga chique.
quarta-feira, 9 de junho de 2010
Diversão e arte

Ainda não fui, mas ouvi que lá tem até petiscos escondidos para nos divertirmos, música ambiente própria para nossos ouvidos, local para brincarmos, casinhas com diferentes cheiros e texturas e um café, com cardápio para donos e cães. Trata-se de uma exposição chamada “Prácachorro”, na qual nós levamos os donos para passear em SP. Para os humanos, há também palestras e uma exposição de fotos, além de ilustrações que abordam a importância histórica do cachorro. Um estúdio fotográfico ainda fica à disposição para fazermos fotos em família. Adorei. Para saber mais sobre o evento, que vai até 3 de julho, acesse: http://matilhacultural.com.br
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Patas que guiam

O labrador Basher, de quase 3 anos, trabalha no Brasil como cão-guia. Ele já veio treinado dos EUA, e aqui as aulas continuaram no Instituto Iris. Basher funciona como os olhos da Dani, a dona, conduzindo-a por todo canto. Na entrevista abaixo, o cão conta das paixões, que são o amigo Tico, passeios no parque e, claro, a Dani. Também fala do grande medo, um guarda-chuva preto que o aterrorizou no metrô.
1 - Como é seu trabalho?
Bem legal, é o sonho de todo cão, pois fico com minha dona o dia todo. Ando praticamente em linha reta, se ela não disser “vire à direita" ou "vire à esquerda”. Mas não pense que é fácil, porque preciso desviá-la de tudo. Já decorei os caminhos habituais, como do trabalho para o metrô. Sei muitos outros também, aprendo fácil.
2- Gosta de brincar ou só trabalha?
Claro que brinco. Tem outro amigo em casa, Tico, que é pequeno e usa roupa de segurança. Acredita? Tenho certeza que não põe medo em ninguém. Adoramos brincar de cabo de guerra. Também gostamos de correr no parque.
3 – Já passou algum aperto?
Tive muito medo de um guarda-chuva. Certo dia, Dani apanhou de um objeto preto desses que estava nas mãos de uma mulher, dentro do metrô. A senhora não acreditava na deficiência visual da minha dona e ainda insistia, aos berros, que lugar de cachorro não era dentro do vagão.
4- Você apronta com sua dona?
Não. Às vezes, o pessoal mexe comigo na rua, e como gosto de pessoas, acabo dando atenção e me distraio. Como isso pode por a segurança da Dani em risco, é melhor ninguém mexer com um cão-guia, enquanto estivermos no trabalho.
quinta-feira, 27 de maio de 2010
Invisíveis ao lado da ponte


Frio e fome fazem parte do cotidiano de Nêga, de 6 meses. Ela vive na calçada do viaduto do Pacaembu, em uma caixa de papelão, assim como a família dela. Conheci a mocinha porque moro perto do local. Nêga ainda é criançola, mas já tem aquele olhar sofrido que dói. De acordo com o humano responsável, ela costumava andar amarrada a outro sem teto que a chutava. Agora está melhor.
Parei para farejar a história toda, levei um pouco da minha ração para ela e também aproveitei para dar banho, vacina e vermífugo. Depois, tive que devolver aos donos, mas aí já com uma cara mais feliz e um enfeite na testa. Daqui uns dias, vou arrumar um tio médico para castrar a Nêga, para evitar que o mundo se encha de neguinhas. Após a operação, ela volta novamente para o viaduto, onde está sua família. Milhões de carros passam por lá toda hora, mas ninguém parece enxergar aqueles humanos, muito menos Nêga. E a vida segue para eles, na estreita calçada onde a cachorra vive, ao lado da ponte.
terça-feira, 25 de maio de 2010
Um promotor para chamar de meu

Laerte Levai, 49, vinte anos na promotoria de justiça, sente indignação. E da aversão diante de maus tratos aos animais nasceu o compromisso de criar uma promotoria exclusiva de defesa dos bichos, que será no Estado de São Paulo e conta com 16 mil assinaturas já entregues à procuradoria geral. Ainda falta aprovar. Para algumas pessoas, ok, nada a comemorar em Sucupira. Já para cadelas como Feijuca (foto), que veio da rua e sabe o quão más podem ser pessoas más, é um passo i-men-so.
1 – Como será essa promotoria?
Em tese, todo promotor já tem obrigação de defender os animais, pois está dentro tutela ambiental. Mas isso não acontece na prática. A proposta considera todo tipo de bicho, tanto faz se a proteção vai para uma espécie exótica, um cão de rua ou para um cavalo explorado.
2 – Você recebe denúncias?
Atendo, deixo meu telefone à disposição. Muita gente não quer se identificar, então também aceito cartas. Aconselho isso a quem quer denunciar, que faça uma carta, com o maior número de detalhes possível do fato, endereço do ocorrido, horário, nomes, tudo o que tiver e entregue à promotoria. O promotor tem obrigação de agir.
3 – Mas qual é o canal correto para denunciar?
Pode ser direto na promotoria ou em uma delegacia comum, na qual a pessoa faz um boletim de ocorrência. O cidadão tem que se respaldar na Constituição Federal, que protege os animais, e na lei ambiental, que considera crime abandono e crueldade. Ouço muitas reclamações de pessoas que dizem que o delegado fez pouco caso do crime, mas se a pessoa está respaldada na lei, o delegado tem OBRIGAÇÃO DE ATENDER, caso contrário pode cometer prevaricação e omissão.
4 – Qual caso mais te chocou?
Teve um cavalo com uma fratura exposta na pata que foi abandonado no pasto para morrer, ficou agoniando dois dias até que o caso chegasse à promotoria. Recolhemos com a ajuda de ONGs, mas ele morreu de infecção. Não conseguimos identificar a pessoa que o jogou como um lixo. É esse tipo de atitude que me revolta.
Quem quiser a entrevista inteira escreva para: patasaoalto@gmail.com
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Um delegado para chamar de meu

Outro dia, ouvi mais uma daquelas histórias de arrepiar os pelos, sobre cães maltratados. Quis latir alto para alguém, mas não tinha onde reclamar. Agora tudo promete mudar. Há um projeto que cria delegacias especializadas em proteção de bichos e ambiente em todo o país. Já temos duas criadas, em Campinas e em Sorocaba. Já temos também o projeto da promotoria especializada em defesa animal. No próximo post, coloco parte da entrevista feita com o promotor, meu braço direito, que foi o dono dessa idéia.
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Caramelo perdido
Fogos de artifício são uma maneira burra de, literalmente, queimar dinheiro para assustar cães. Twix, esse poodle caramelo de 5 ou 6 meses, também pensa assim, mas ele ainda não aprendeu que, quando estouram, o segredo é esconder-se na casinha.Com toda explosão de quarta-feira passada, por causa de futebol, o bobo fez o pior: correu para a rua. Correu tanto que se perdeu e buscou abrigo debaixo da saia da Carolina. Ela o acolheu, mas não pode ficar com ele. Quem souber de alguém que perdeu um poodle bebê, ou mesmo de alguém que quer o cão, por favor, entre em contato com ela: (11) 8999-3815 e pimenta_4@yahoo.com
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Líder grega


Muita gente garante que o próprio cão é anarquista. Mas nenhum deles foi como a labradora Papitsa, de 6 anos. Durante todo tempo, ela liderou manifestações anarquistas na Grécia, como as greves gerais, que aconteceram em maio, entre inúmeras outras. Fofa até dizer chega, era a única a transitar no meio da tropa de choque sem levar tiro. Infelizmente, Papitsa morreu no último dia 8, durante o parto. Deixou três lindos filhotes: Petras, Luben e Giant, além de muitas lembranças e fotos, que podem ser acessadas aqui (pode clicar, cai em uma galeria de imagens)
quinta-feira, 6 de maio de 2010
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Cada vez mais rabugenta
(foto G1)Fiz três anos em abril. Por entrar na fase adulta, estou mais intolerante. Vi agora a notícia de que no Rio de Janeiro, dois cães, chamados Bruna e Lui, vão fazer uma cerimônia de casamento. E pior, vai custar R$ 12 mil. Minha gente, o que é isso? Quem disse que cachorro liga para um negócio desses? Com tanto problema, como o da organização SOS Animal* que está prestes a fechar por falta de dinheiro, esses humanos sem noção me vêm torrar grana dessa forma. Ainda justificam a insanidade com os pobres cães, que nem sabem o que se passa. É por essas que quem defende os animais, muitas vezes, acaba ridicularizado, como já aconteceu comigo. Mas o que eu tenho a dizer? Sou só uma cadela. E mais velha agora.
*SOS Animal: Dolores, (11) 8901-4751, aceita remédios e ração.
segunda-feira, 3 de maio de 2010
E viveram felizes para sempre
Ele estava desinchavida em uma praça zona oeste de SP. Por semanas, passou fome, frio e medo. Vai saber como foi despejado por lá. Até que um dia Che, um golden, latiu para ele. Ele respondeu.
Brincaram um pouco e durante a conversa, Che pediu para a humana que cuida dele para levar o amigo para casa. Com o coração partido em ver o cão magrelo, e mesmo assim feliz ao lado do Che, ela recolheu o peludo. Eles moram em um apartamento pequeno no espaço, mas grande no amor. O menino passou a ser chamado de Toby, e de acordo com Liv, a humana responsável, o cãozinho pertence mesmo a Che, que cuida dele como irmão.
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Zeca e os 109

Zeca, 2, vive em um abrigo. Apanhou na rua, levou chutes, passou muita fome e hoje tem medo das pessoas, de tanto sofrer. Quando foi resgatado, quase que não sobreviveu para contar a história. Agora ele é um dos 110 cães que vivem no canil da USP.
Na semana passada, Zeca e a ONG Patinhas online, que cuida do canil e de adoções, tomaram um susto. Um cartaz afixado no local dizia que seria desativado. “Se fecharem, não temos para onde levar os animais”, diz aflito tio Rafael Splichal, um dos responsáveis pelo Patinhas. A USP não quis falar com uma cadela repórter como eu e mandou uma nota na qual se explica, sem no entanto explicar nada: “A Coordenadoria do Campus da Capital (Cocesp) tem desenvolvido estudos em conjunto com a Faculdade de Medicina Veterinária e pretende que esse debate seja levado a todos os âmbitos da Universidade”.
E???
Para protestar pela vida de Zeca e dos outros 109 que esperam por adoção no abrigo, escreva nos e-mails: gr@usp.br, ouvidor@usp.br, patinhasonline@gmail.com
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Show do bem

Nesta semana tem música em prol dos animais. Será no Sesc Pompéia, quinta dia 29, às 21h, com um monte de gente boa: Fernanda Porto, Nuno Mindelis, Palavra Cantada, Patrícia Marx, Renato Teixeira e Teatro Mágico.
Custa: R$20 (inteira), R$10 (meia) e R$ 5 (comerciários)
Se quiser se informar melhor, clique: www.anda.jor.br
Feijuca e eu não podemos ir, pois não serão permitidas patas adentro. Uma pena. Mas os humanos que moram em casa vão. Fica aqui a dica de um show bacana.
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Tudo vale a pena, se a amizade não é pequena


Quando criança, meus melhores amigos eram uma vaca de pelúcia e uma franga de borracha, Cremilda. Até que a vaca sumiu, e Cremilda morreu.
Xeretando, achei várias amizades inusitadas, todas especiais. A da orangotango fêmea Suryia e o cão Roscoe me ganhou. Ela estava em depressão e só melhorou quando avistou um cachorro no meio de uma mata. Normalmente teríamos medo de um macaco desses, mas ao se encontrarem, os dois não se largaram mais. Ele foi adotado pelo instituto onde Surya mora. (clique, tem um filminho lindíssimo dos dois)
Nesse outro link, também é possível ver outras amizades que, no ponto de vista dos humanos, seriam impossíveis. Elas só existem e se explicam mesmo pelo amor desinteressado dos animais.
quinta-feira, 15 de abril de 2010
A vingança de Spock

Entediado com a vida na chácara, e respeitoso demais com as galinhas para apavorá-las, Spock resolveu escalar árvores. Mirava o pé de manga havia dias, até que, naquela terça, a árvore não escapou. Ou melhor, ele não se safou da mangueira esperta. Agarrou com as unhas em um dos galhos e tentou se jogar para o outro. No meio do malabarismo, a mangueira safada puxou um dos braços para a esquerda. Desequilibrou. Do alto dos seus mais de dois metros, a árvore malaca riu ao ver o pobre cão cair como uma manga podre. Quebrou a pata e o rabo.
Dolorido, foi choramingar com o amigo que cuida dele. Foram então até a tão famosa USP. Só que, chegando à melhor faculdade de veterinária do país, não conseguiram ser atendidos. Imagine você que Spock, todo arrebentado, teria que esperar um mês para uma cirurgia. Jamais! Até lá, ele já estaria torto. O amigo levou-o à clínica particular e gastou os tubos. Com rabo e pata engessados, Spock chegou à chácara, levantou a perna e soltou um xixi, bem na mangueira astuta.
terça-feira, 13 de abril de 2010
Ardida que só

Diagnóstico médico: febre e barriga torrada. Sim,tive insolação e andei lambendo o protetor solar que colocam na minha barriga branca. Torrei ao sol e levei bronca. Agora fico presa para não torrar mais. Ainda colocaram remédio e um calçote em mim. Aqui mal dá para ver, mas acreditem, estou ridícula. A vida anda difícil para o meu lado.
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Uma pança em pauta

Em casa, todos têm medo de médico. E eu não sou diferente. Na porta do consultório empaquei como um burrico. Não entro, não entro... E entrei. Tinha fila para atendimento. Fiquei lá abanando meu rabo para um pug que de tão feinho era atraente, mas a dona, sisuda, não quis saber de colocar o bicho no chão.
Entra um, sai outro e chegou a minha vez. A médica, que me atende sempre com o sorrisão falso de gengiva à mostra, me pesou. Primeiro drama: “Ihh ela engordou”. Pronto, agora virei a cadela panceta lá em casa. Como ração diet, ganho só cenouras e maçãs de petiscos, não posso chegar perto de um bife e ainda assim escuto que sou pançuda. Chegou então a hora de subir naquela mesa gelada de metal. Por que existe isso? Por que não podemos ser examinadas num confortável sofá de veludo? Quando reclamo, as fêmeas de casa ainda me mandam calar a boca porque se eu precisasse de cadeira ginecológica, aí sim veria o que é tortura. Foram necessárias duas pessoas para me carregar. Sim, amigos, acho que estou a Wilza Carla canina. No próximo, conto sobre a consulta.
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Coração em frangalhos

To aflita. Uma amiga me ligou avisando de uma cachorrinha grávida na porta do prédio dela, grávida e com sarna. É de um cara que mora lá perto, muito malvado, que a jogou na rua. Toda vez que ela tenta voltar para casa, o cara joga pedras nela. Como pode?
Só que ninguém do prédio quer pegar. Feijuca e eu estamos no interior, em uma casa emprestada, e minha dona está em São Paulo, morando no apartamento de uma pessoa, também emprestado, e não pode recolher. Por enquanto, não temos casa em SP. Que sinuca.
As associações para as quais lati, todas dizem estar lotadas. Enfim, to com o coração despedaçado. Alguém tem uma idéia?
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Um túnel para liberdade
Pelo menos um ser foi contra a condenação dos Nardoni, o cão Estopa, da foto. Fotógrafos que acompanhavam o caso não puderam deixar de notar o peludo, que em um ato impensado, começou a cavar um túnel do lado de fora delegacia na data do indiciamento dos réus, na tentativa de ajudar a escaparem ilesos. Foi detido em flagrante, o "facilitador de fuga”, e teve que se comportar. Depois, descobriu-se que Nardoni, na verdade, tinha um bife dentro do bolso da camisa, que seria usado para subornar o inocente Estopa.
quarta-feira, 31 de março de 2010
Bola de cristal da Maga

Feriado. Não sei bem o que se comemora na data. Mas sei as consequências disso, que são casa cheia e colo à vontade. Por isso, feriados têm um significado singular para nós e são consideradas datas extremamente felizes. Também não sei como adivinhamos que as pessoas vão chegar, simplesmente sabemos. E, ansiosas, Feijuca e eu já estamos à espera.
quinta-feira, 25 de março de 2010
E no reino das injustiças...

Dou preferência a temas caninos ou felinos, mas não pude deixar essa de lado. Depois do cão herói, só mesmo a baleia heroína. A mergulhadora Yang Yun, 26, que participava de uma competição de mergulho sem equipamento, perdeu os movimentos das pernas, por causa da água extremamente gelada, e começou a afundar. A beluga, uma baleia ma-ra-vi-lho-sa, que já foi muito caçada por humanos, como muitas outras ainda são no Japão(contraditório, não?), percebeu a situação, pegou a mulher e a levou para a superfície. “Pensei que já era para mim – eu estava morta”, disse a moça à imprensa de plantão.
quinta-feira, 18 de março de 2010
Endereço do cão herói
(imagem "Rede Bom Dia")A quem perguntou - O senhor que mora com o cachorro herói, do post aí de baixo, fica em Santo André e costuma frequentar o sinal da esquina da Rua José Lins do Rego com a Av. Príncipe de Gales. Lá, ele pede aos carros que passam. Também não conheço Santo André e não fui até o local, mas a repórter que esteve lá (tia Michelly Cyrillo) disse que ele mora em uma construção que fica ao lado, em frente a uma pracinha.
É isso. Se eu tiver oportunidade, passo lá com um pouquinho da minha ração, para dividir com ele. E quem puder também ajude.
(vou aproveitar e pedir para ele não fumar, pois já provei AQUI que faz mal até para nós, cachorros)
Maga e o Mickey

Caminhava na avenida, em frente a um fórum, de onde saem advogadas que desafiam as calçadas esburacadas com saltos altíssimos, quando ele apareceu. Nunca antes na história deste blog eu havia visto um rato. Até já tomei vacina contra as doenças que ele transmite, dada minha fama de caçadora.
Mickey saiu de um bueiro, meio atordoado, subiu na calçada quente e correu. Cinza, pequeno e apavorado por tantos sapatos e gritos ao redor. Corria olhando para frente, sem mexer com ninguém, mas já incomodando a todos. Só por existir. Só por ser um rato.
Meu focinho virou-se, eu queria ir atrás. Queria cheirar, correr também e então puxei fortemente a guia. No que virei, vi um moço que vinha na direção contrária do Mickey, que continuava correndo, focado. O moço, vestido com um terno que devia estar fedido naquele calorão, mirou o rato com precisão, calculou o tempo e deu-lhe um chute. Pegou de lado, quase na cabeça. Mickey perdeu o rumo, foi lançado por um metro, caiu no asfalto quente, rolou, esfolou-se todo, e, ainda atordoado sem entender o que acontecera, achou o caminho do bueiro, todo machucado.
Sei que transmite doenças, sei que ninguém os quer por perto. Mas, naquele momento, fiquei com pena do rato. O chute não serviu para acabar com os ratos do mundo, com doenças, com nada. Serviu para o moço, fedido e corajoso, fazer-se de herói, e, gratuitamente, causar sofrimento ao Mickey, que levou uma bica, só por ser um rato.
sexta-feira, 12 de março de 2010
Herói da vida real
(imagem "rede Bom dia")Lupi Lobo, de um ano, acordou assustado com o barulho da invasão do barraco. Latiu, mas o dono, o morador de rua José André dos Santos, 56, nem ligou, pois estava acostumado com os latidos do amigo. Só que naquela noite foi diferente, pois não só invadiram como colocaram fogo no local onde os dois dormiam.
Seu José abriu os olhos com o lugar tomado pela fumaça e, intoxicado, desmaiou. Lupi desesperou-se. Mesmo com olhos e garganta ardendo, o cão, que também já estava prestes a desmaiar e morrer torrado, decidiu que não arredava as patas de lá sem seu José. Então começou a lamber o rosto do dono para que despertasse. Depois de alguns minutos, quando Lupi estava quase sem saliva, os olhos de seu José se abriram. “Se não fosse ele, teria morrido no incêndio”, afirmou, depois do susto, ao jornal “Rede Bom dia”.
No outro dia, a vida voltou ao prumo. Seu José voltou a pedir dinheiro nos sinais, como faz cotidianamente, pois está doente e ninguém lhe da emprego. E Lupi, como sempre, não desgrudou do dono. “É o meu companheiro. Às vezes deixo de comer para comprar ração para ele”, contou ao jornal.
quarta-feira, 10 de março de 2010
Cão é cão e ponto.

Vieram me perguntar sobre a raça da Feijuca. Mas que raça, minha gente? Feijuca é uma legítima vira-latas, com muito orgulho. Aliás, quem de nós, caninos, liga para raça de cachorro? Isso é coisa de humano, inventada por ele para ganhar dinheiro sobre uma suposta fama. Qual é a diferença se o cachorro que está ao seu lado pertence a uma linhagem ou não? Nenhuma, o amor, a capacidade de aprendizado e até os gastos com ele são os mesmos. Minto, algumas linhagens podem sim acabar com a sua conta bancária.
quarta-feira, 3 de março de 2010
Sonhos de Pingo
Com 18 anos, Pingo arrastava-se. Já não conseguia mais andar, depois de tantos problemas na coluna. Tristonho, na maioria do tempo caía no sono.
Já no mundo encantado do subconsciente, a situação invertia. Dormindo, Pingo corria. Ele conseguia correr com a ajuda de uma cadeira de rodas mágica, que milagrosamente aparecia com apenas uma chacoalhada de orelhas. Sobre patas e rodas, ele voava por gramados verdes, sem que ousassem chamá-lo de senil.
Por muito tempo, essa cadeira imaginária foi sua fortuna. Certo dia, o cão mexeu as orelhas de olhos abertos mesmo e puft! A cadeira apareceu. Feliz, cheirou o que pode e aguardou o outro dia, pela manhã, quando iria usá-la. Mas o outro dia não chegou para Pingo, que morreu, quietinho e senil, sem tempo para viver seus sonhos.
Os donos querem dar a oportunidade de outros cachorros desfrutarem dos sonhos de Pingo. Eles estão doando a cadeira mágica, ainda sem uso. Caso você saiba de um cão que precisa dela, e que se encaixe nas medidas abaixo, entre em contato com Mariu, (11) 9899-5096 (ou mariu@mariu.com.br). Mariu também tem uma cadela linda que está para doação, caso alguém tenha espaço e queira um novo amor na vida.
Diâmetro da roda = 0,25 cm
Largura entre as duas travessas que prendem no corpo do animalzinho = 0,21 cm
Extensão das duas travessas = 0,60 cm
Lembra da história da kelly? Clique aqui
segunda-feira, 1 de março de 2010
Crime e castigo

O que está acontecendo, minha gente? Primeiro, o caso do Amendoim aí embaixo, depois um motoqueiro amarrou seu cachorro na guia e o arrastou de moto até a morte, em Campinas (SP), no último dia 22. Largou o bicho na via pública, terminando de morrer. Agora recebo a notícia de uma mulher que pegou um gato, que apareceu em seu apartamento, em Passo Fundo (RS), e o jogou do oitavo andar, prédio abaixo.
As pessoas estão ficando cada vez mais desmioladas? Ou... Será que falta punição? Sim, porque se tivesse uma bem rigorosa, os psicoPATAS e sanguinários por natureza ao menos pensariam nas chibatadas, antes de massacrar um bicho.
Abaixo temos dois pedidos de punição, a serem entregues ao Ministério Público. Não organizei isso, mas sim entidades protetoras:
-Para assinar a petição que exige punição do motoqueiro que baba espuma verde, clique aqui
-Já contra a desvairada e mal-amada do oitavo andar, clique djá (coloquei só nome e RG)
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
A saga de Amendoim
Naquele dia, misteriosamente, a ração não estava lá. Tampouco o pote de comida. Um dos donos de Amendoim sacudiu a coleira, sinal de passeio, e o deixou com o rabo a mil. “Dia de cheirar (e mijar em) postes”, pensou, ansioso, mas estranhou por não conectarem a guia. Logo a porta do carro se abriu e o colocaram para dentro. Sem agrados. Ainda assim, estava feliz: “Passeio sobre rodas, orelhas ao vento, milhões de cheiros pelo ar”, matutou.Mas desta vez o vidro do carro não abriu. Acomodou-se no banco, sem estar preso a lugar algum. Enquanto esticava os olhos para apreciar o caminho, “malditos pescoço e pernas curtas”, agarrava-se com as unhas no estofado para não despencar, por causa dos buracos das vias.
Determinado momento, o carro parou. Não era o parque com grama verdinha, não era a casa da tia no interior, onde passava férias. Era o asfalto quente, em uma avenida, onde a placa de velocidade, que raramente é respeitada, marcava 70 km/h. Rapidamente, o dono pegou Amendoim no colo, desceu e jogou-o, o mais longe que pôde. Retornou, deu partida e acelerou, o mais cruel que pôde. Atordoado, Amendoim ainda tentou, em vão, correr atrás do veículo, “malditas perninhas anãs!”, pensou, aflito, achando ter sido acidentalmente esquecido naquele inferno.
Fora covardemente abandonado. A pessoa do carro de trás viu tudo, estacionou e resgatou Amendoim. Ele ainda tem esse olhar perdido, de quem não compreende o que aconteceu ou o porquê está longe de casa.
Amendoim está para adoção. Tem 4 anos, saúde perfeita, tomou banho e recebeu remédio contra pulgas. Só que ainda será necessário muito amor para fazê-lo esquecer do asfalto quente.
Se você tem esse amor para dar a um basset legítimo e meigo, ligue para: (11) 9134-3242(Eliana) ou 9690-6258 (Tati) ou escreva no e-mail: eli.a.alves@uol.com.br
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Que nem gente - Marcando touca
Ex-motoqueira, Phoebe, de 5 anos, curte xeretar nas coisas da família, entre elas, a touca de cabelo. Tanto, que ganhou uma foto com o adereço, charmosa vai. Ela é ex-motoqueira pois quem cuida dela já acha que Phoebe está um tanto pesada para continuar de carona na motoca da família.
Seu cachorro faz coisas de humanos? (rs como eu, que escrevo?). Então manda a foto para a seção "que nem gente" que contarei em breves linhas a história dele. Mas atenção, NADA de forçar o cão a fazer algo ou judiar do bicho, que daí eu denuncio (e mordo). e-mail: patasaoalto@gmail.com
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Já para o passeio!
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
No caminho da Folha
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Magaecocerta

Em casa, pararam de comer carne. Carne é carne minha gente, sem boi, frango, nem nada que tenha um coração. Não só pela saúde, não só porque o bicho fica no estômago um tempão apodrecendo até ser digerido. Não só pelo planeta, que vai ser tomado por criação de gado. Mas sim, por causa dos bichos, uma forma de não se alimentar do sofrimento alheio. É difícil mesmo parar. Até hoje fico louca se sinto cheiro de bife. Então, proponho a quem simpatiza com isso que tente pelo menos um dia, como diz o banner aí. Segunda-feira de carnaval, então, nada de bicho na mesa. Combinados?
Aos mais corajosos, que quiserem mesmo se convencer, indico o documentário "A carne é fraca", que linkei aqui. Depois de assistir, duvido que você veja um bife da mesma forma.
(imagem: SVB)
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Só para pequenos

Passear nas férias é mais complicado quando se pesa mais do que dez quilos. Peso quase 30, então para mim são três vezes mais complicado. Feijuca pesa outros 30, ou seja, seis doses de complicações para a dupla. Ninguém nos quer nos hotéis. “Somos boazinhas”, afirmamos. Nada feito.
Tentamos achar um perto de Itu e Porto Feliz, com gramado para corrermos um dia inteiro. Nada. Tem um spa bem bonito, com gramado lindo, portão, muro e “Day use”. Mas, mesmo com a insistência, a mocinha já avisou: “nada de patas grandes por aqui”.
(ps. Feijuca já tá bem, passou uns dias amoada, mas já está pronta para tirar os pontos)
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Ponto na pata
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
A insuperável sujeira do ser
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Amor de verão

Eu andava, ele andava. Eu corria, ele corria. Até quando parei para beber água no lago tive que tomar cuidado para ele não me pegar desprevenida. Que inferno esse cachorro. Lindo o Bruce, mas tem um sério problema com rejeição amorosa. Durante o passeio, ele não largou do meu pé, ou melhor, do meu rabo. Cansei de dizer, rosnando claro, que sou castrada e não quero saber de macho cheirando lá trás. Mas ele seguiu, durante o dia todo, enfeitiçado pelo meu traseiro. Sem sucesso.
Assinar:
Postagens (Atom)



