sexta-feira, 10 de setembro de 2010

A dama-da-noite e o pé de romã


Eles cresceram juntos. Quando adolescente, magrelo e com poucas folhas, o pé de romã dava trela para todas as plantinhas assanhadas do jardim. Ele teve uma queda especial pela roseira, até magoá-la ser espetado pela planta descontrolada. Não aprendeu. Continuou mulherengo, ora cantava a margarida, ora roubava beijos da petúnia, e dessa forma sempre fez sombra nos sonhos da dama-da-noite. Ela, por sua vez, ainda jovem caiu de amores pelo dono dos frutos da sorte.
“Quando terei a sorte?”, suspirou por toda adolescência. Assim ela cresceu, cheia de sonhos, mas sem flores nem graça. Quando virou adulta, floreou e se descobriu. Aprendeu ainda a se perfumar todas as madrugadas para arrebatar o coração verde dos vizinhos.
Deu certo. O pé de romã, que antes gastava as noites distribuindo frutos a tudo que é planta, agora passa as madrugadas inebriado com os encantos da dama. Confiante, hoje é ela que não liga mais para os frutos da sorte.
Acompanho a história dos dois, que vivem em frente da minha casinha. Sorte a minha o desencontro, pois aproveito o cheiro da dama encantadora e também caço as romãs que o pé apaixonado despeja na soleira da amada.

3 comentários:

Dani Brito disse...

ai, ai...é sempre assim quando a gente dá a volta por cima, a outra parte resolve dar valor quando perde...

Guilherme disse...

A Maga tem que entrar no Facebook.
Beijos.

Liv Soban disse...

Concordo com o que o Guilherme falou, a Maga precisa ir pro Facebook já!
Lindo texto, as always. Poético, verdadeiro e inspirador.